Nesta segunda-feira (8), dia em que São Luís celebra 413 anos de história, um cortejo com centenas de fiéis de religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda, cruzou as ruas do Centro Histórico da capital maranhense na tradicional Procissão dos Orixás, evento anual que conta com apoio do Governo do Maranhão. A concentração ocorreu na Praça Dom Pedro II, reunindo pais, mães, filhos e filhas de santo de várias regiões do estado.
A Procissão dos Orixás é realizada em 8 de setembro por marcar uma homenagem ao padroeiro da cidade, o santo católico São Luís Rei de França, assim como às entidades cultuadas nas religiões de origem africana.
O cortejo teve início em frente ao Edifício João Goulart e seguiu pela Avenida Dom Pedro II, Rua do Egito, Praça João Lisboa, Rua Afonso Pena e Rua da Palma, até chegar à Igreja do Desterro.
Na saída do cortejo, o governador do Maranhão, Carlos Brandão, saudou os participantes, parabenizou a população de São Luís pelos 413 anos e reforçou o apoio do Governo do Estado às manifestações afro-brasileiras, destacando o combate ao racismo e à intolerância religiosa.
“A procissão está grande e todos os anos fazemos questão de participar para deixar bem claro o nosso apoio às religiões de matriz africana. Elas têm o nosso total apoio, e temos procurado ajudar no que for possível para que se fortaleçam ainda mais”, afirmou o governador.
As vestimentas multifacetadas — com roupas brancas, tecidos coloridos, laços e colares de contas —, somadas ao ritmo forte do tambor de mina, despertaram a atenção de turistas e da população que passava pelo local.
O governador Brandão também ressaltou a necessidade de mais respeito à diversidade religiosa e a importância do apoio do poder público às diferentes formas de credo presentes no Estado. “O nosso Governo ajuda os católicos, ajuda os evangélicos e também os povos de matriz africana. As religiões têm que ser respeitadas”, completou.
Resistência e combate à intolerância religiosa
O evento é um momento de comemoração e agradecimento pelas conquistas alcançadas. Mas, para Biné Gomes Abinokô, representante da Federação de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros do Maranhão (Fucabma), entidade que organiza o cortejo, a Procissão dos Orixás é também um ato de resistência e de luta por respeito.
“Não é só uma caminhada festiva. Nessa caminhada nós também buscamos nossos espaços de direito, lutamos contra a intolerância religiosa, contra a violência e pelos nossos direitos. Este também é um grito de resistência pelo respeito às religiões de matriz africana, ao tambor de mina, à umbanda, ao candomblé, ao terecô e à pajelança”, pontuou Biné Gomes.
A tradicional Procissão dos Orixás de 2025 também contou com a presença da presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão (Alema), deputada Iracema Vale, e de vereadores de São Luís.





