Carlos Brandão
Governador do Maranhão
Quanto custa realizar um sonho? No Maranhão, para muita gente, essa conta começa no preço de uma máquina de costura, de um freezer ou dos equipamentos necessários para montar um pequeno negócio. O problema é que, muitas vezes, o dinheiro para comprar tudo isso vem de um empréstimo cujos juros acabam pesando mais do que a própria parcela.
Imagine uma costureira de Imperatriz que já tem encomendas e sabe que uma máquina nova pode aumentar sua produção. Ou um rapaz de Zé Doca que começou vendendo lanches em uma carrocinha e quer montar sua própria lanchonete. Os dois têm iniciativa e vontade de crescer. O que falta, frequentemente, é uma condição melhor para conseguir crédito.
Foi para ajudar pessoas assim que retomamos o programa Juro Zero. A proposta é simples: o empreendedor consegue o financiamento e, se pagar as parcelas em dia, o Governo do Estado assume os juros. Na prática, quem toma R$ 10 mil devolve R$ 10 mil. É uma forma de permitir que o pequeno negócio cresça sem que boa parte do resultado do trabalho fique comprometida com os juros do empréstimo.
O crédito pode chegar a R$ 22 mil e ser contratado no Banco do Nordeste, no Sicoob ou na Ceape. Também fizemos mudanças para que mais pessoas pudessem participar e ampliamos o público atendido, incluindo MEIs, microempresas, mulheres empreendedoras, beneficiários de programas sociais e trabalhadores informais. Retiramos exigências que dificultavam o acesso e mudamos regras que acabavam prejudicando quem mais precisava. Agora, quem atrasa uma parcela não perde automaticamente o direito de continuar no Programa e também pode contratar mais de um financiamento ao longo do ano.
Essas mudanças foram importantes porque não adianta criar um programa e deixar que a burocracia impeça as pessoas de chegar até ele. Por isso, percorremos os municípios maranhenses conversando com empreendedores e explicando como funciona o Juro Zero. É preciso que a informação chegue a quem trabalha por conta própria, geralmente sem tempo ou condições de procurar um banco para entender as possibilidades de financiamento.
Já começamos a perceber os resultados. O financiamento do Banco do Nordeste no Maranhão saltou de R$ 1,5 bilhão para R$ 3,5 bilhões; e nossa estimativa é de que o programa Juro Zero injete cerca de R$ 4 bilhões na economia do estado.
Esse dinheiro não fica parado: ajuda o comerciante a comprar mercadoria, o pequeno empresário a adquirir equipamentos e o trabalhador a ampliar sua atividade. Quando um negócio cresce, outras pessoas também podem ser beneficiadas, seja por uma nova contratação, ou pelo aumento das compras de fornecedores locais.
É importante lembrar que os pequenos negócios têm um peso enorme na economia maranhense: eles representam cerca de 92% das empresas ativas do estado. São milhares de pessoas que trabalham por conta própria, mantêm pequenos estabelecimentos, prestam serviços e sustentam suas famílias com o resultado de cada dia de trabalho. Quando essas pessoas encontram condições para crescer, o benefício chega muito além da porta do próprio negócio.
É isto que queremos com o Juro Zero: que mais maranhenses possam tirar seus planos do papel, melhorar seus negócios e ganhar dinheiro com o próprio trabalho. Porque a oportunidade não pode ser privilégio de poucos: precisa chegar também a quem começa pequeno, mas tem vontade de crescer.





