A maior romaria do Maranhão reuniu milhares de devotos maranhenses e de outros estados. O governador Carlos Brandão esteve presente nesta segunda-feira (31)

Em uma noite cercada de simbolismo e muita devoção religiosa, o governador Carlos Brandão juntou-se a milhares de fieis e prestigiou, nesta segunda-feira (31), em Vargem Grande, o encerramento do Festejo de São Raimundo Nonato dos Mulundus, uma das mais tradicionais manifestações católicas do Maranhão e reconhecida como uma das maiores romarias do estado. O festejo não era realizado há dois anos.

O último dia dos festejos reuniu fiéis, romeiros e visitantes de diversas regiões do estado e de outras partes do país, unidos pela fé e devoção a São Raimundo dos Mulundus, popularmente conhecido como o “Santo Vaqueiro”.

Realizado tradicionalmente entre os dias 22 e 31 de agosto, o festejo preserva uma história de mais de dois séculos de devoção e mantém viva uma das mais fortes expressões da religiosidade popular maranhense. 

O governador Carlos Brandão destacou a importância da festa religiosa para renovar a fé e a esperança dos cristãos, como também para render homenagens ao trabalho árduo do vaqueiro nordestino.

“Sou devoto de São Raimundo há bastante tempo e venho à romaria de Vargem Grande sempre que posso. O festejo de São Raimundo dos Mulundus serviu de inspiração para criar, quando fui deputado federal, um projeto que virou lei, instituindo o Dia Nacional do Vaqueiro Nordestino, celebrado no terceiro domingo de julho”, lembrou Brandão.

Durante o período do festejo, Vargem Grande recebe um grande fluxo de peregrinos, que participam de missas, procissões, romarias, novenas e manifestações de fé que fortalecem a identidade cultural e religiosa da região.

O encerramento dos festejos deste ano foi marcado por celebrações solenes, momentos de oração e pela tradicional participação dos romeiros que renovam promessas e agradecem graças alcançadas. 

A missa campal, ponto alto dos festejos, foi conduzida pelo bispo Dom Benedito Araújo, maranhense natural de Itapecuru-mirim e que desde janeiro integra a diocese da cidade de Campo Maior, no Piauí.

Mais do que uma festa religiosa, o Festejo de São Raimundo dos Mulundus representa um encontro entre fé, tradição e pertencimento, reunindo gerações de devotos em torno de uma devoção que atravessa o tempo e continua mobilizando milhares de pessoas todos os anos em Vargem Grande.

Origem

A origem do Festejo de São Raimundo dos Mulundus está ligada à crença popular em torno de um vaqueiro maranhense chamado Raimundo Nonato Soares Cangaçu (ou Ganguçu), que teria vivido na região de Vargem Grande no século XVIII. Segundo a tradição, ele era conhecido por sua honestidade, religiosidade e dedicação ao trabalho. 

A narrativa mais difundida conta que Raimundo Cangaçu teria desaparecido durante uma busca por gado, e dias depois ter sido encontrado morto, próximo a uma carnaubeira. O fato do corpo ter sido achado sem sinais aparentes de decomposição e exalando perfume foi interpretado pelos moradores como um sinal de santidade. 

A partir daí, romeiros passaram a visitar frequentemente o local de sua morte. Com o crescimento da fama de supostos milagres atribuídos a Raimundo Canguçu, as romarias aumentaram e passaram a atrair pessoas de várias partes do Maranhão e também de outros estados.